sábado, 26 de março de 2011

O que eu quero enxergar seu espelho não consegue refletir.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Siga acreditando


Nossa vida é um emaranhado de mentiras, da infância até velhice, algumas nos contam, outras nós mesmos fantasiamos. Tudo começa nos seus primeiros natais, Papai Noel, o bom velhinho é quem vem lhe trazer os presentes, assim como na páscoa o coelhinho é quem esconde seus chocolates, e por se tratar de um animal muito camarada sempre deixa suas pegadas pra que você os ache facilmente, porém ambos só aparecem se você se comportar, do contrário quem vem no seu lugar é o Bicho papão, e se ele não resolver chamaremos o velho do saco.
É assim que começa o clico de mentiras, daí em diante não para mais, doravante agora as mentiras são contadas por você também, já não há mais a inocência no seu olhar que fazia você acreditar em tudo que lhe diziam, mas há uma vontade de que tudo de certo que faz com quem você acredite em personagens mais fantasiosos que os descritos acima, prometem muito mais do que o Papai Noel, mas no fim são mais temíveis que o velho do saco, e continua-se o ciclo de mentiras, “comunista come criancinha”, “trabalhar enobrece o homem”, “Tudo vai melhorar”, “O salário mínimo vai subir em contrapartida aos impostos”. Mas como dito antes agora você não só acredita nas mentiras como também se faz acreditar nas mesmas... Sua companheira acabou de acordar, o cabelo emaranhado, a cara amassada, você um grande mentiroso vai dizer que ela está linda, minutos depois vai lhe jurar amor eterno, a contradição está no fato de você já ter dito isso para outra pessoa, tratava-se de uma mentira? Ou devemos mudar o conceito de eternidade? Era apenas mais uma mentira, iguais as outras escritas nas cartas de amor, ou ditas nos telefonemas intermináveis.
Quando tudo começa a dar errado e você enxerga as mentiras que lhe contaram, o seu apego passa a ser em algum Deus supremo, que alguém lhe disse que resolveria todos seus problemas, basta rezar e elevar a sua quantia do dízimo, milhares e milhares de fiéis seguem acreditando cegamente nisso, “um dia ele há de voltar” e todos seus pecados serão esquecido pois mergulharam em uma água “abençoada”, levantaram cedo aos sábados e domingos para ouvir o que o Pastor tinha a falar, e o mais importante jamais esqueceram-se de seus envelopes recheados para compor a sestinha que gira sedenta por todo o salão da igreja, cuja finalidade do conteúdo poucos sabem realmente, enfim conseguiram os convencer de que dessa maneira uma vida inteira de mentiras e pecados seria relevados e todos alcançariam o tão sonhado paraíso. Feliz daquele que consegue ver que a verdade vai muito mais além daquilo que se enxerga, fica escondida em um lugar obscuro, guardado a sete chaves por aqueles que se beneficiam e fazem muito bom proveito das mentiras contadas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Viagem!


Algo ou alguém mantém meus olhos fixados na janela, são meus pensamentos que mergulham naquela imensidão azul e verde que há la fora, e é assim que eu viajo, em todos os sentidos, os pensamentos que já não posso mais chamar de meus vão mais longe do que eu posso chegar. O passado me incomoda porém agora o presente me faz sorrir e junto dos sorrisos contidos trás a esperança de um futuro mais que perfeito, já que o pretérito não foi. Era para ser apenas mais uma sexta feira como qualquer outra, a volta comum para casa, a chegada na rodoviária, a recepção afetuosa dos amigos e familiares, mas dessa vez eu lembrei de trazer meus fones e assim posso viajar escutando "time like these" e lembrar que realmente são em tempos como esses que se aprende a viver novamente, são em tempos como esses que se aprende a amar novamente, é sempre quando se acha que não se pode mais, é nesse momento que vai surgir alguém, chegada não sei da onde, mandada não sei por quem que vai destruir com a percepção anterior.
A noite se aproxima, eu não, falta um bocado de quilômetros até chegar em casa, já não tenho mais a companhia do azul e do verde comigo, a noite os levou e deixou no seu lugar uma escuridão cabulosa que já não combina mais com os dias de hoje, afinal tudo está claro, finalmente enxergo que andei errado, mas já não preciso mais pedir desculpas. Talvez seja hora de dormir, viajei demais hoje, em todos os ambtos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Apenas mais um dia


Pessoas, se eu tivesse apenas mais um dia, viveria minha vida pelo certo, encontraria um caminho para amar todos os dias, amaria mais vezes, diferentes pessoas...
Se eu tivesse apenas mais um dia, deixaria de mentir, me mostraria em plenitude a quem quisesse ver e saber quem sou eu de verdade, deixaria as palavras que percorrem ardentes em minha entranhas e trancam em minha garganta sairem naturalmente sem receio das reações.
Se eu tivesse apenas mais um dia, deixaria de tragar as angústias, andaria de pés no chão, mergulharia na imensidão dos meus sonhos, correria para longe daqui...
Mas não, eu tenho muitos dias a mais, e um profundo medo do passado.
Pessoas, se eu tivesse apenas mais um dia, viveria minha vida pelo certo, eu viveria.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Status, pra que te quero?


Sempre fiz as vezes do cara politicamente correto. Até aqui levei uma vida de mentiras, eu nunca quis ser esse cara, e o fazia por aceitação, o grande problema era que eu não me aceitava, mas achava legal o orgulho que algumas pessoas sentiam de mim, vi isso nos olhos da minha mãe ao saber que o filho dela havia ganho uma bolsa na faculdade, por duas vezes, e também vi a decepação nos olhos dela ao saber que estranhamente eu não aceitaria as bolsas, fui crucificado por um monte de pessoas, para cada um dava um motivo diferente, mas a verdade é que aceitando eu entraria no mundo deles... Sempre gostei de estudar, mas estudar o que eu achava interessante, não o que a sociedade quer que eu aprenda, há tantas coisas interessantes sobre a vida que eu quero saber e não sei, e eu passaria 5 longos anos me atentando a aprender como administrar uma empresa... Não, nem de longe foi isso que eu que quis para minha vida, já vivi tempo demais a merce do que a sociedade acha correto, e aos olhos dela o que importa são as cifras, e dinheiro é bom sim, se essa é a pergunta, mas dona Marisa fez de mim um homem e não uma puta. Aos 20 anos de idade eu continuo sem saber o que quero ser quando crescer, talves eu deixe a barba crescer e vire hippie, enfim, vou fazer aquilo que eu acho certo, e não o que alguns burocratas do sistema julgam correto, o certo deles pra mim é errado, destrói a alma das pessoas, os cegam em busca da perfeição através de capital, bem vindo ao capitalismo. Se ainda não sei o que quero ser, ao menos já sei o que não quero ser, não quero ser igual eles.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Malditos sapatos


Ando angustiado com a monotonia, tento ser diferente daqueles que pra mim não são ninguém, mas no fim esbarro na condição da semelhança com os mesmos. Tenho pressa para que as coisas aconteçam, mas no fim nada acontece, e eu continuo a andar, a dormir, de quarto em quarto, sem um paradeiro fixo, sem companhias fixas, sem companheiras fixas, hoje tudo é passageiro, quando penso em gostar de algum lugar, gostar de alguém, já é hora de ir embora e voltar para o lugar que pra mim hoje trata-se de um pequeno inferno, o lugar onde minhas piores recordações se fazem presentes, e o que é pior, as melhores também, o lugar onde abortei grande parte dos meus sonhos. Mas foi lá onde vivi meus melhores dias, onde conheci pessoas que hoje posso chamar de amigos, onde ao lado deles com os pés descalço passava horas correndo atrás de uma bola... Enquanto lá alguns ainda andam descalços, eu retorno de sapatos, os malditos sapatos, que me colocam em uma condição que invejam alguns e ante aquilo que almejo me rebaixa. Foi lá que dei minhas primeiras pedaladas de bicicleta, pedalas essas que eram demarcadas por poucos metros, as esquinas demarcavam os limites, e eu não precisava mais do que aquilo, passava horas andando de uma lado para o outro naquele curto espaço que pra mim era o suficiente, hoje os limites são maiores, são demarcados pelas fronteiras do Brasil, até alguns dias atrás eram suficientes, hoje já não é mais ante um mundo enorme que há la fora, e que talvez me aguarde de braços abertos, ou talvez não, mas como eu vou saber, se continuar aqui vestindo esses sapatos apertados, sendo igual a eles, vivendo entre picuinhas, sofrendo por coisas tão tolas...
Tenho uma enorme vontade de largar tudo, passo boa parte do meu dia pensando nisso, virou uma obsessão, e no final sempre me ocorre a mesma pergunta, mas que tudo? Não tenho nada, pelo menos nada do que eu almejei para minha vida, dimensionei importância demais para coisas e e pessoas que não merecem tanto, e acabei me viciando em lugar pequeno, com pessoas pequenas, com pensamentos pequenos, e entre esses eu me fazia presente, com meu maldito ópio naquele lugar que era perfeito para os sonhos de um guri e pequenos para os anseios de um homem, naquele lugar que me impõe limites, que me cega. E eu não quero limites, não quero padrões, não quero ideologias, só quero descobrir, o que já foi descoberto mas não usufruido, quero deixar de ser um rotineiro, para um dia quem sabe alcançar o status de pioneiro. Salve Henry Ford.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sintomas

É a relação perfeita, ao seu lado vivo em êxtase, nossa convivência não é tão intensa, pelo menos não tanto quanto eu gostaria, aqui em casa ela não é muito aceita, ninguém sabe o quanto sou feliz ao seu lado, sendo assim me escondo, e assim me encontro, na mais natural das introspecções, só ela mensura ao certo a análise interior que devo fazer de mim mesmo, com ela me encontro fora da realidade, em outra dimensão. Se me perguntarem por quê? Eu digo sem cerimônias, porque ela me faz levitar, sair do mundo real, em um simples tocar dos lábios os batimentos cardíacos se elevam de 60-80 para 120-140 bpm, enquanto a alma descansa em um ritmo desacelerado, a percepção do humor se aguça, meu riso sai sem motivos, aumenta-se a sensualidade, o libido, incontrolável o corpo sucumbe ante a letargia que me tira as forças, então já é hora de dormir, o melhor dos sonos, e em seguida acordar, contraditoriamente não mais com os olhos vermelhos, mas de novo no triste e sistemático mundo real.