
É verdade que não se pode ir tão longe, não por uma questão de distância, em todo o lugar (até os mais próximos) há ameaças, críticas, desavenças, em todo o lugar há limites, lógicas, parâmetros, comparações. A imaginação, que outrora não aceitava limites agora atua sobre forças arbitrárias, doravante, o homem pensa, sonha, imagina, fala em liberdade, tolo, sabes que és refém da lógica, sua imaginação foi reduzida a servidão, contrariando os pensamentos livres.
A liberdade, a utópica liberdade, paira nos sonhos e somente neles, mas tu vives em intensa realidade, de olhos abertos. Como poderia um homem inteligente, hoje em dia, não se sentir apressado? Acorda doutor, há grandes coisas a fazer, grandes serviços a prestar, acelerai as máquinas de ouvir, pensar, recordar, imaginar e viver.
Liberdade, que a ciência jamais aceitará, e a lógica jamais explicará. E tu, amigo surrealista, se ainda existe, seguirás a dormir profundamente, querendo acordar em um mundo onde esconder o amor será errado, e tu, é claro, jamais escondera teu amor, pois se a época é dura devemos amar ainda mais, penetra-la com o nosso amor até que tenhamos afastados as enormes montanhas que dissimulam a luz que há para além delas, e sim, há uma luz não compreendida.
A luz que brilha a mente dos não compreendidos, dos insanos, dos loucos, daqueles que não usam lógica, daqueles que profetizam com suas canetas e eternizam em suas vozes, daqueles que deixam os sonhos guiarem seus atos, aqueles que são reféns de suas imaginção e somente dela, aqueles que odeiam a realidade.
Por que haveria eu de recusar em realiade aquilo que aceito em meus sonhos? Maldita realidade, assassina da imaginação, silenciadora dos gritos de mudança, motriz da humanidade.
Concluo meu texto parafraseando André Breton, "Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação"
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