
Nossa vida é um emaranhado de mentiras, da infância até velhice, algumas nos contam, outras nós mesmos fantasiamos. Tudo começa nos seus primeiros natais, Papai Noel, o bom velhinho é quem vem lhe trazer os presentes, assim como na páscoa o coelhinho é quem esconde seus chocolates, e por se tratar de um animal muito camarada sempre deixa suas pegadas pra que você os ache facilmente, porém ambos só aparecem se você se comportar, do contrário quem vem no seu lugar é o Bicho papão, e se ele não resolver chamaremos o velho do saco.
É assim que começa o clico de mentiras, daí em diante não para mais, doravante agora as mentiras são contadas por você também, já não há mais a inocência no seu olhar que fazia você acreditar em tudo que lhe diziam, mas há uma vontade de que tudo de certo que faz com quem você acredite em personagens mais fantasiosos que os descritos acima, prometem muito mais do que o Papai Noel, mas no fim são mais temíveis que o velho do saco, e continua-se o ciclo de mentiras, “comunista come criancinha”, “trabalhar enobrece o homem”, “Tudo vai melhorar”, “O salário mínimo vai subir em contrapartida aos impostos”. Mas como dito antes agora você não só acredita nas mentiras como também se faz acreditar nas mesmas... Sua companheira acabou de acordar, o cabelo emaranhado, a cara amassada, você um grande mentiroso vai dizer que ela está linda, minutos depois vai lhe jurar amor eterno, a contradição está no fato de você já ter dito isso para outra pessoa, tratava-se de uma mentira? Ou devemos mudar o conceito de eternidade? Era apenas mais uma mentira, iguais as outras escritas nas cartas de amor, ou ditas nos telefonemas intermináveis.
Quando tudo começa a dar errado e você enxerga as mentiras que lhe contaram, o seu apego passa a ser em algum Deus supremo, que alguém lhe disse que resolveria todos seus problemas, basta rezar e elevar a sua quantia do dízimo, milhares e milhares de fiéis seguem acreditando cegamente nisso, “um dia ele há de voltar” e todos seus pecados serão esquecido pois mergulharam em uma água “abençoada”, levantaram cedo aos sábados e domingos para ouvir o que o Pastor tinha a falar, e o mais importante jamais esqueceram-se de seus envelopes recheados para compor a sestinha que gira sedenta por todo o salão da igreja, cuja finalidade do conteúdo poucos sabem realmente, enfim conseguiram os convencer de que dessa maneira uma vida inteira de mentiras e pecados seria relevados e todos alcançariam o tão sonhado paraíso. Feliz daquele que consegue ver que a verdade vai muito mais além daquilo que se enxerga, fica escondida em um lugar obscuro, guardado a sete chaves por aqueles que se beneficiam e fazem muito bom proveito das mentiras contadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário