
Hoje eu resolvi quebrar a rotina, ao invés da minha convencional aula matinal, sai do serviço e fui até o Gasômetro sozinho, me senti bem fazendo isso, um ato de extrema rebeldia da minha parte, de fazer inveja a Ernesto Guevara de La Serna (um dos maiores rebeldes da história), para um pseudo rebelde, como eu, foi o mesmo que eclodir a revolução Cubana, pois no mundo atual, uma pessoa que senta ao sol em uma terça-feira a tarde está condenado a marginalidade, a vagabundagem... Não só esse gesto, como qualquer outro que fuja as convenções impostas pelo sistema.
Mas bem, eu sentei em um canto e fiquei observando ao redor, era ali o melhor lugar que eu podia estar, só eu e meus pensamentos, e eu me perguntava por que só eu e ele estávamos ali, o cartão Postal de Porto Alegre, o por do sol mais belo do Brasil, entretanto, naquela momento poucos o aproveitava, todos estavam mais ocupados trancafiados em seus escritórios, enjaulados em seus ternos, acorrentados por suas gravatas, vivendo suas rotinas e contemplando as convenções capitalistas.
Como eu me senti bem aquele dia, esqueci todos os problemas, foi um belo fim de tarde, porém isolado, o mundo real me esperava.
Eu fico pensando, quantas pessoas realmente fazem hoje o que sonharam quando crianças? Pois eu nunca conheci uma que dissesse “quando eu crescer quero ser caixa de supermercado”, nem “quero ser auxiliar administrativo”, tão pouco vi uma criança dizer “mãe, eu quero ser um gestor da qualidade”, gostando ou não, existem muitos caixas, auxiliares administrativos, gestores da qualidade, dentre outros, e em algum momento de suas vidas essas pessoas tiveram que abortar seus sonhos.
Eu quando criança, queria ser jornalista, daqueles que viajam, escrevem sobre coisas legais conhecem pessoas interessantes, enfim, queria uma profissão que me permitisse ser livre, porém as convenções do dia-dia me levaram a bater meu primeiro cartão aos 15 anos, não que eu tenha gostado mas daí em diante não parei mais, hoje sou um reles desenhista em auto CAD, passo o dia dentro de um escritório, confeccionando peças, definitivamente não era isso que eu queria, mas aos 20 anos de idade na culminância da indecisão da maioria dos jovens, não posso dizer ainda que o meu sonho acabou, eu ainda desejo fazer o que eu gosto, mas o meu sonho começa quando eu boto a cabeça no travesseiro e termina ás 6h da manhã quando toca o despertador, e a cada dia que passa esse sonho vai ficando mais e mais distante, até que um dia talvez alguém consiga me convencer de que o que realmente importa é um emprego sólido, cuja objetivo central são as cifras, e fazer o que se gosta é uma utopia.
Mas enquanto esse dia não chega, continuo sonhando... Ah! O despertador já vai tocar.
P.S.: Escrevi esse texto a alguns meses atrás. Algumas coisas já mudaram de lá para cá, mas preferi não mexer no texto, mudei de emprego e hoje trabalho viajando, nada parecido com o meu sonho, mas é um começo :)
OLA ESTOU SEGUINDO VC!SEU BLOG É OTIMO
ResponderExcluirSeu blog é muito interessante...me identifiquei bastante e inclusive já postei um texto do John Lennon que você também postou.Faço questão de ter seguir. Beijão ;*
ResponderExcluir"Eu fico pensando, quantas pessoas realmente fazem hoje o que sonharam quando crianças? Pois eu nunca conheci uma que dissesse “quando eu crescer quero ser caixa de supermercado”, nem “quero ser auxiliar administrativo”, tão pouco vi uma criança dizer..." legal kra, gostei!
ResponderExcluirhttp://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2010/06/por-tras-do-horror-do-halloween-origem_28.html