sábado, 2 de outubro de 2010

Apenas mais um dia


Pessoas, se eu tivesse apenas mais um dia, viveria minha vida pelo certo, encontraria um caminho para amar todos os dias, amaria mais vezes, diferentes pessoas...
Se eu tivesse apenas mais um dia, deixaria de mentir, me mostraria em plenitude a quem quisesse ver e saber quem sou eu de verdade, deixaria as palavras que percorrem ardentes em minha entranhas e trancam em minha garganta sairem naturalmente sem receio das reações.
Se eu tivesse apenas mais um dia, deixaria de tragar as angústias, andaria de pés no chão, mergulharia na imensidão dos meus sonhos, correria para longe daqui...
Mas não, eu tenho muitos dias a mais, e um profundo medo do passado.
Pessoas, se eu tivesse apenas mais um dia, viveria minha vida pelo certo, eu viveria.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Status, pra que te quero?


Sempre fiz as vezes do cara politicamente correto. Até aqui levei uma vida de mentiras, eu nunca quis ser esse cara, e o fazia por aceitação, o grande problema era que eu não me aceitava, mas achava legal o orgulho que algumas pessoas sentiam de mim, vi isso nos olhos da minha mãe ao saber que o filho dela havia ganho uma bolsa na faculdade, por duas vezes, e também vi a decepação nos olhos dela ao saber que estranhamente eu não aceitaria as bolsas, fui crucificado por um monte de pessoas, para cada um dava um motivo diferente, mas a verdade é que aceitando eu entraria no mundo deles... Sempre gostei de estudar, mas estudar o que eu achava interessante, não o que a sociedade quer que eu aprenda, há tantas coisas interessantes sobre a vida que eu quero saber e não sei, e eu passaria 5 longos anos me atentando a aprender como administrar uma empresa... Não, nem de longe foi isso que eu que quis para minha vida, já vivi tempo demais a merce do que a sociedade acha correto, e aos olhos dela o que importa são as cifras, e dinheiro é bom sim, se essa é a pergunta, mas dona Marisa fez de mim um homem e não uma puta. Aos 20 anos de idade eu continuo sem saber o que quero ser quando crescer, talves eu deixe a barba crescer e vire hippie, enfim, vou fazer aquilo que eu acho certo, e não o que alguns burocratas do sistema julgam correto, o certo deles pra mim é errado, destrói a alma das pessoas, os cegam em busca da perfeição através de capital, bem vindo ao capitalismo. Se ainda não sei o que quero ser, ao menos já sei o que não quero ser, não quero ser igual eles.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Malditos sapatos


Ando angustiado com a monotonia, tento ser diferente daqueles que pra mim não são ninguém, mas no fim esbarro na condição da semelhança com os mesmos. Tenho pressa para que as coisas aconteçam, mas no fim nada acontece, e eu continuo a andar, a dormir, de quarto em quarto, sem um paradeiro fixo, sem companhias fixas, sem companheiras fixas, hoje tudo é passageiro, quando penso em gostar de algum lugar, gostar de alguém, já é hora de ir embora e voltar para o lugar que pra mim hoje trata-se de um pequeno inferno, o lugar onde minhas piores recordações se fazem presentes, e o que é pior, as melhores também, o lugar onde abortei grande parte dos meus sonhos. Mas foi lá onde vivi meus melhores dias, onde conheci pessoas que hoje posso chamar de amigos, onde ao lado deles com os pés descalço passava horas correndo atrás de uma bola... Enquanto lá alguns ainda andam descalços, eu retorno de sapatos, os malditos sapatos, que me colocam em uma condição que invejam alguns e ante aquilo que almejo me rebaixa. Foi lá que dei minhas primeiras pedaladas de bicicleta, pedalas essas que eram demarcadas por poucos metros, as esquinas demarcavam os limites, e eu não precisava mais do que aquilo, passava horas andando de uma lado para o outro naquele curto espaço que pra mim era o suficiente, hoje os limites são maiores, são demarcados pelas fronteiras do Brasil, até alguns dias atrás eram suficientes, hoje já não é mais ante um mundo enorme que há la fora, e que talvez me aguarde de braços abertos, ou talvez não, mas como eu vou saber, se continuar aqui vestindo esses sapatos apertados, sendo igual a eles, vivendo entre picuinhas, sofrendo por coisas tão tolas...
Tenho uma enorme vontade de largar tudo, passo boa parte do meu dia pensando nisso, virou uma obsessão, e no final sempre me ocorre a mesma pergunta, mas que tudo? Não tenho nada, pelo menos nada do que eu almejei para minha vida, dimensionei importância demais para coisas e e pessoas que não merecem tanto, e acabei me viciando em lugar pequeno, com pessoas pequenas, com pensamentos pequenos, e entre esses eu me fazia presente, com meu maldito ópio naquele lugar que era perfeito para os sonhos de um guri e pequenos para os anseios de um homem, naquele lugar que me impõe limites, que me cega. E eu não quero limites, não quero padrões, não quero ideologias, só quero descobrir, o que já foi descoberto mas não usufruido, quero deixar de ser um rotineiro, para um dia quem sabe alcançar o status de pioneiro. Salve Henry Ford.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sintomas

É a relação perfeita, ao seu lado vivo em êxtase, nossa convivência não é tão intensa, pelo menos não tanto quanto eu gostaria, aqui em casa ela não é muito aceita, ninguém sabe o quanto sou feliz ao seu lado, sendo assim me escondo, e assim me encontro, na mais natural das introspecções, só ela mensura ao certo a análise interior que devo fazer de mim mesmo, com ela me encontro fora da realidade, em outra dimensão. Se me perguntarem por quê? Eu digo sem cerimônias, porque ela me faz levitar, sair do mundo real, em um simples tocar dos lábios os batimentos cardíacos se elevam de 60-80 para 120-140 bpm, enquanto a alma descansa em um ritmo desacelerado, a percepção do humor se aguça, meu riso sai sem motivos, aumenta-se a sensualidade, o libido, incontrolável o corpo sucumbe ante a letargia que me tira as forças, então já é hora de dormir, o melhor dos sonos, e em seguida acordar, contraditoriamente não mais com os olhos vermelhos, mas de novo no triste e sistemático mundo real.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Como ser um cara descolado no orkut e na vida


Primeiro você precisa de um óculos escuro maneiro, em seguida precisa tirar uma foto com o mesmo dentro do seu quarto, mesmo que lá dentro não haja sol, mas desde quando óculos de SOL foi feito para se usar no SOL? Mas não é só isso que vai fazer de você um cara respeitado, você precisa de frases do Bob no seu "quem sou eu" e deixar bem claro a todos que você fuma maconha... Esses dois itens já vão o fazer um cara super legal, mas ainda assim não vai conseguir ter 900 amigos, precisamos de mais coisas.
Bom, vá para a praia, tire muitas fotos lá, se você for bombadinho é melhor, dentro do álbum da praia que você vai entitular de "ahh o verão..." precisa ter a foto de uma geladeira com muitas bebidas dentro. Crie um "bonde", de a ele o nome mais idiota que conseguir, mas coloque no orkut só as siglas do seu "bonde", todo mundo vai querer saber do que se trata, tire fotos com cara de mau ao lado dos integrantes do seu grupo. Assassinar a lingua portuguesa é extremamente importante, até por que pra você ser legal mesmo, precisa ter concluído o ensino médio no EJA, que foi pago pelo seu pai, junto com as prestações do seu carro. Falando em carro, pegue o seu sexta feira a noite e vá até o posto de gasolina mais próximo, e lá você vai encontrar muitas pessoas legais, iguais a você... E eu que pensava que postos de GASOLINA fossem feitos para colocar GASOLINA, que idiota eu ehm?!
Siga esses passos e seja um imbecil, digo, um cara descolado.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Reencontrando Porto Alegre...


Faziam meses que eu não visitava a capital do RS, fiz isso em um domingo de manhã, tinha alguns compromissos no centro, na saudosa Rua da Praia. Era cedo quando atravessei a Av. Farrapos, por volta de 7 horas, foi nesse momento que eu me lembrei o quanto aquele local é repugnante, a miséria e prostituição tomaram conta do lugar, senti pena das prostitutas que ali estavam, a temperatura estava na casa dos 5º, e lá estavam elas, semi nuas, caminhando de uma lado para o outro a fim de despertar o libido de alguns burgueses fracassados.
Enfim desci no centro, ali a miséria impera, o cheiro forte de urina impregnou meu nariz por um bom tempo, a cena que se via era deprimente, pessoas (se é que se pode chamar assim) deitadas por todo o canto, cobertas apenas por alguns retalhos de pano que certamente não eram suficientes para aquece-los... Perto da rodoviária uma cena me chamou a atenção, vi duas mulheres, carregavam consigo alguns copos e uma térmica grande, não sei ao certo o conteúdo da garrafa, mas devia ser algo quente para aquecer os corpos daqueles pobres miseráveis, e no fim é o que os resta, alimentar o corpo, pois suas almas a sociedade já matou. A pergunta que eu me fazia era, qual a motivação que aquelas duas mulheres tiveram para abandonar suas camas quentes em um dos domingo mais frios do ano, e tomar aquela atitude tão nobre? A resposta me ocorreu minutos depois, elas tem algo que eu não tenho, coragem, um bom coração eu também possuo, mas a miséria me da medo, o máximo que consigo fazer ao me deparar com um mendigo na rua é me certificar se a minha carteira está bem guardada, deplorável, não? Eu sinto vergonha de admitir isso, mas não passa da verdade, a sociedade me criou assim, me fez acreditar que os mais pobres tendem a ter menos caráter, o que não passa de uma grande mentira, caráter não é uma questão de dinheiro, as pessoas que mais me roubam são milionárias, residem em brasilia e atendem pela alcunha de parlamentar, e se eu passar por uma deles na rua, talvez abra um sorriso aperte sua mão e o prometa meu voto nas próximas eleições.

sábado, 24 de julho de 2010

Descobrindo o novo


Sou o resumo de uma historia que ainda tem importância, diante de tal circunstancia, clareio os olhos e procuro o melhor caminho na bifurcação do destino, guiado somente pela razão, o coração serve somente para bombear meu sangue. Salve a massa cefálica.
Sou uma contradição, a ventura vivida no singular, para muitos isso é contraditório, para mim não passa de paradigma, que eu quebro sendo indagado diariamente por aqueles que jogam a responsabilidade de suas felicidades no colo de outra pessoa. Vivo em um mundo que alguns chamam de mentira, eu apenas o chamo de atípico, é o meu mundo vivido do jeito que eu acho que deve ser vivido.
Sou o novo, nova semana, novos lugares, novas cores, as fotografias são sempre novas, psicodelias sem o uso de LSD, porém não sou nada psicodélico, se pudesse viveria em um mundo preto e branco, mas como dito antes, vivo num mundo surreal e me encaixo nele por pura diplomacia, politicagem, e eu faço isso com tanta destreza que as vezes sinto nojo de mim mesmo, ajudar burgueses a aumentarem suas cifras, sentar em suas mesas e fingir que seus assuntos me agradam sendo que a minha vontade era de dizer que eles não passam de arrogantes, hipócritas sem alma, é o lado negro do meu novo mundo.
Sou o que eu ainda não vivi e nem vi, não há preço que pague o descobrir do novo, o repontamento em novos lugares, cada nascer do sol, cada pessoa, são todos iguais, porem tão diferentes, e eu agradeço por poder presenciar tantas peculiaridades e ante disso descobrir que não sei nada da vida, que há muitas coisas que eu vou morrer sem descobrir, e que talvez eu morra sem saber até mesmo quem eu sou de verdade.