quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Status, pra que te quero?


Sempre fiz as vezes do cara politicamente correto. Até aqui levei uma vida de mentiras, eu nunca quis ser esse cara, e o fazia por aceitação, o grande problema era que eu não me aceitava, mas achava legal o orgulho que algumas pessoas sentiam de mim, vi isso nos olhos da minha mãe ao saber que o filho dela havia ganho uma bolsa na faculdade, por duas vezes, e também vi a decepação nos olhos dela ao saber que estranhamente eu não aceitaria as bolsas, fui crucificado por um monte de pessoas, para cada um dava um motivo diferente, mas a verdade é que aceitando eu entraria no mundo deles... Sempre gostei de estudar, mas estudar o que eu achava interessante, não o que a sociedade quer que eu aprenda, há tantas coisas interessantes sobre a vida que eu quero saber e não sei, e eu passaria 5 longos anos me atentando a aprender como administrar uma empresa... Não, nem de longe foi isso que eu que quis para minha vida, já vivi tempo demais a merce do que a sociedade acha correto, e aos olhos dela o que importa são as cifras, e dinheiro é bom sim, se essa é a pergunta, mas dona Marisa fez de mim um homem e não uma puta. Aos 20 anos de idade eu continuo sem saber o que quero ser quando crescer, talves eu deixe a barba crescer e vire hippie, enfim, vou fazer aquilo que eu acho certo, e não o que alguns burocratas do sistema julgam correto, o certo deles pra mim é errado, destrói a alma das pessoas, os cegam em busca da perfeição através de capital, bem vindo ao capitalismo. Se ainda não sei o que quero ser, ao menos já sei o que não quero ser, não quero ser igual eles.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Malditos sapatos


Ando angustiado com a monotonia, tento ser diferente daqueles que pra mim não são ninguém, mas no fim esbarro na condição da semelhança com os mesmos. Tenho pressa para que as coisas aconteçam, mas no fim nada acontece, e eu continuo a andar, a dormir, de quarto em quarto, sem um paradeiro fixo, sem companhias fixas, sem companheiras fixas, hoje tudo é passageiro, quando penso em gostar de algum lugar, gostar de alguém, já é hora de ir embora e voltar para o lugar que pra mim hoje trata-se de um pequeno inferno, o lugar onde minhas piores recordações se fazem presentes, e o que é pior, as melhores também, o lugar onde abortei grande parte dos meus sonhos. Mas foi lá onde vivi meus melhores dias, onde conheci pessoas que hoje posso chamar de amigos, onde ao lado deles com os pés descalço passava horas correndo atrás de uma bola... Enquanto lá alguns ainda andam descalços, eu retorno de sapatos, os malditos sapatos, que me colocam em uma condição que invejam alguns e ante aquilo que almejo me rebaixa. Foi lá que dei minhas primeiras pedaladas de bicicleta, pedalas essas que eram demarcadas por poucos metros, as esquinas demarcavam os limites, e eu não precisava mais do que aquilo, passava horas andando de uma lado para o outro naquele curto espaço que pra mim era o suficiente, hoje os limites são maiores, são demarcados pelas fronteiras do Brasil, até alguns dias atrás eram suficientes, hoje já não é mais ante um mundo enorme que há la fora, e que talvez me aguarde de braços abertos, ou talvez não, mas como eu vou saber, se continuar aqui vestindo esses sapatos apertados, sendo igual a eles, vivendo entre picuinhas, sofrendo por coisas tão tolas...
Tenho uma enorme vontade de largar tudo, passo boa parte do meu dia pensando nisso, virou uma obsessão, e no final sempre me ocorre a mesma pergunta, mas que tudo? Não tenho nada, pelo menos nada do que eu almejei para minha vida, dimensionei importância demais para coisas e e pessoas que não merecem tanto, e acabei me viciando em lugar pequeno, com pessoas pequenas, com pensamentos pequenos, e entre esses eu me fazia presente, com meu maldito ópio naquele lugar que era perfeito para os sonhos de um guri e pequenos para os anseios de um homem, naquele lugar que me impõe limites, que me cega. E eu não quero limites, não quero padrões, não quero ideologias, só quero descobrir, o que já foi descoberto mas não usufruido, quero deixar de ser um rotineiro, para um dia quem sabe alcançar o status de pioneiro. Salve Henry Ford.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sintomas

É a relação perfeita, ao seu lado vivo em êxtase, nossa convivência não é tão intensa, pelo menos não tanto quanto eu gostaria, aqui em casa ela não é muito aceita, ninguém sabe o quanto sou feliz ao seu lado, sendo assim me escondo, e assim me encontro, na mais natural das introspecções, só ela mensura ao certo a análise interior que devo fazer de mim mesmo, com ela me encontro fora da realidade, em outra dimensão. Se me perguntarem por quê? Eu digo sem cerimônias, porque ela me faz levitar, sair do mundo real, em um simples tocar dos lábios os batimentos cardíacos se elevam de 60-80 para 120-140 bpm, enquanto a alma descansa em um ritmo desacelerado, a percepção do humor se aguça, meu riso sai sem motivos, aumenta-se a sensualidade, o libido, incontrolável o corpo sucumbe ante a letargia que me tira as forças, então já é hora de dormir, o melhor dos sonos, e em seguida acordar, contraditoriamente não mais com os olhos vermelhos, mas de novo no triste e sistemático mundo real.