segunda-feira, 27 de maio de 2013
Eu vejo gente morta!
Finalmente começo a entender um pouco mais sobre a vida e busco uma maneira de me manter vivo, não só em corpo como também em alma. Ao ver as pessoas nas ruas sinto que entregaram suas vidas a uma ignorância dos sentidos, da percepção. Vivem em busca de um objetivo; acumular riquezas, e para isso acumulam angústias, que os consomem tal como uma teia. Enredados, acreditam que estão no caminho certo, quando na verdade caminham a passos largos no sentido da morte, o sistema os pega pelas mãos e os conduz ligeiramente sobre o caminho da ignorância. O sistema não aceita os marginais, quem vive as margens da sociedade estará fadado ao repúdio da mesma, mas em troca ganhará a vida. O estado nos fez acreditar que temos que alcançar alguns objetivos para sermos felizes, quando na verdade nosso único objetivo é ser feliz. Já está na hora de voltarmos a celebrar a "não-conformidade", pois tudo está errado, libertar nossa criatividade que hoje está aprisionada pelas leis obtidas como padrões da sociedade, a nossa verdade é algo triste, convivemos diariamente com o sofrimento, com as angústias do dia-dia, apenas por não conseguirmos identificar ao certo o que realmente nos faz feliz, então acreditamos em qualquer coisa que nos dizem: tenha um bom carro, uma boa casa, boas roupas, mas para tudo isso; sofra todos os dias, mas sofra feliz, entregue sua vida a alguém que fará bom proveito dela, enfim, siga a tradição e perca sua dignidade. Certa vez li algo que falava sobre o repúdio que Nietzsche tinha em relação aos eruditos, no primeiro momento me contrariei, afinal ser um intelectual deveria ser algo maravilhoso, só agora entendo o que na verdade significava esse sentimento do filósofo alemão: colocar a razão acima dos outros sentidos é uma afronta à existência humana, o conhecimento das coisas não nos deixa mais sábios. A existência é feita de ser e não de ter, e o que nos resta na procura da felicidade é utilizarmos o nosso conhecimento em prol da vida, "conhecimento sem paixão seria castrar a inteligência". Tento resistir arduamente ao caminho que querem me levar, embora ande por ele, minha alma ainda está vida, sei que nunca serei feliz servindo ao estado, minha felicidade está dentro daquilo que acredito, em um mundo livre, e me apoio nos escritores e poetas que gosto para isso, aqueles que trazem luz para iluminar essa triste estrada, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Bob Dylan, Henry Thoreau, serei eternamente grato pela inspiração e conhecimento da vida.
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